Olhar para trás nem sempre é retroceder.

Olhar para trás nem sempre é retroceder.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Ao coração que fala


Quanta coisa dói no coração da gente; 

Dói a dor, o amor, a paixão, a tristeza, o carinho e até a alegria, quando contagiante; 

Das dores, há uma estranha, repentina, doce, forte e avassaladora que só não derruba o cascudo; 

Essa dor que não vem do ventre, mas é corrente, pois também é nascimento, ressurreição, destino traçado; 

Dor de querer, poder e não fazer; 

Dor de desejo, de enlouquecer em não dizer o esperado vem; 

Dor bandida de coração ladrão; 

Dor ferrenha que te torna menino bobão; 

Dor de vontade de beijar a boca distante e a pele que de longe exala o mais profundo pensamento; 

O corpo que diz sim e o coração também, mas ai vem a tal da antidemocrática razão; 

Razão de um que não se junta ao irracional do outro, como água e óleo relutam em tentar se misturar; 

Vai coração.... bate...vai.........

segunda-feira, 19 de junho de 2017

oioioio

Destino com cheiro de prazer


Esse destino não deixa o ser humano de lado; 

Parece um vigia de nossos pensamentos; 

Um lobo astuto que espera uma janela se abrir para fazer com que duas pessoas parecidas comecem a desenvolver misturas; 

Esse é o destino que nos mantem em sigilo de pensamento por anos, mas é sorrateiro quando resolve patrocinar atrações e desejos inesperados; 

Esse destino é aquele danado que faz você ir se entregando até ao ponto de estar íntimo sem estar; 

Excitações, provocações, perfumes, revelações íntimas e a noite vai passando com um relâmpago em dia de tempestade; 

O destino vai se apoderando do pensamento, esquentando a pele, arrepiando os pelos- quando eles existem- e vai dando forma ao abstrato; 

 Os autores ficam cegos, esquecem-se do real, se aproximam da luxúria e se encantam com tanta coisa dita e falada; 

A ideia era fugir, desconversar, pular a indireta e esconder a atração. Contudo, eis que vem o tesão arrebentando dogmas, relaxando a alma, perseguindo os desejos e elevando a vontade de ter um belo êxtase. 

Caro destino trate bem de suas vítimas, pois elas são frutos de um delicioso destino e como não há coincidências na vida, eis que ouso em te pedir: continue nos provocando.

Cláudio Andrade

sábado, 17 de junho de 2017

Os órfãos do aroma


Há cheiros que poderiam voar de jardim em jardim, de castelo em castelo e de cama em cama despertando os amantes no meio de seus devaneios. 

A sua essência vaga pelos quartos e deflagra loucuras de amor quando chegam as nossas narinas; 

És perfume de calor, de amor, de luxúria e de prazer; 

Perfume que esconde nosso pensar, nosso desejo e nossos segredos; 

Cheiro que nos desequilibra, derrama nossos pecados e atormenta a nossa mente; 

Cheiro que invade nossos pensamentos mais escondidos e levanta nosso espírito arrepiando nossa pele; 

Essência covarde que não nos deixa fazer defesa; 

Invade, desnuda, quebra e ri de nossa fragilidade; 

Persegue-nos por gerações, anos a fio e sempre nos faz lembrar do passado bom, frágil, mas inesquecível. 

 Que cheiro é esse que penetra, instiga, provoca e tem até gosto? 

És o teu cheiro amor, entranhado em mim e por causa de ti.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Um tanto de tudo.


Tais relatos foram feitos para ti e para outrem;

Relatos que vagueiam entre o real e o abstrato; 

Confidências que desnudam segredos, cora a face e excitam os narradores; 

Mistérios revelados no drink, na isca charmosa e no piscar direcionado dos olhos; 

Corpo que treme de frio e de expectativa quando sente o cheiro do insondável ao seu lado; 

Mente povoada de interrogações e de especulações quando se deita e contempla o que poderia ter sido feito; 

Amor de cão, de bicho, de gente e de mundo; Mundo de cão, de bicho e de gente;

Mundo louco, perverso, espiritual e de vida, fome de vida;

Mundo de acrobacias, de pecados e de grandes perdões; 

Mundo que nasce e morre e que resiste ao frio da pele e ao calor do coração apaixonado; 

Terra de todos que nem sempre ama alguém; 

Terra de quem te usa, abusa, tira a blusa e te lambuza; 

Terra com cheiro de molho, de frutas, de sangue e de desejos; 

Livros de letras, de histórias, de contos e de recados. 

É assim, no fim somos tudo que queremos e que Deus nos permite ser.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Duas faces


Essa imperfeição de estarmos perto e não sermos capazes de nos beijarmos; 
Essa coisa estranha de saber que sou fruto do seu amor e não consigo alimentá-lo, sendo você a fonte de muitas águas; 
Parece mistério insondável essa agonia de tentar te tocar, mas ser impedido por algo invisível; 
Estaríamos sugados pelo passado? Pelas histórias mal resolvidas de hoje e de ontem? Dessa ou daquela encarnação? 
 Vejo o tempo passando e a inércia me acometendo; 
Já dei passos ao seu encontro, mas você portou-se estático e desestimulado;
 Será que ainda há tempo para uns beijos e vários abraços? Hoje acaricio a face do menor, quando gostaria de ser acariciado pelo já vivido; 
Esse drama indecifrável também faz corroer as minhas entranhas, afinal não sou um ser hábil na arte de demonstrar dores e sentimentos; Nesse momento, penso em você e me desespero, pois sei que muito tempo se foi; 
Tenho coragem suficiente para não me condenar por inteiro, pois o que secou, não foi fruto do acaso e sim, de uma comodidade recíproca e imperdoável de dois corações, um fruto do outro; 
 Agora, de forma precoce, lambo as feridas e luto, a cada dia, para não repetir nas gerações vindouras, esse cenário que nos deixa tão perto e ao mesmo tempo, tão distantes;

terça-feira, 28 de julho de 2015

Amar


"AMAR.

 Como dizia Antoine Saint Exupéry, a experiência ensina-nos que amar não significa duas pessoas olharem uma para a outra e sim, ambas olharem na mesma direção. Acredito que cada um tem o seu próprio conceito de amor; afinal, ele é um sentimento puro e incondicional. Quem ama assim o faz por motivos inexplicáveis, que muitas vezes não são conhecidos nem por aqueles que amamos. 

Também tenho a plena convicção de que não há coisa mais inócua do que amar sem ser amado ou ser amado sem amar. 

O início de um amor é algo maravilhoso. Não são demonstradas as naturezas de cada um; simplesmente ama-se, em uma relação um pouco infantil, irresponsável; porém, deliciosa. O tempo passa e o amor começa a questioná-lo: para onde você o leva? Qual o objetivo de tantas expectativas e projetos? Será que estou amando na medida certa? Seria mais fácil ser amante do que marido? Pois é mais simplório dizer coisas belas de vez em quando do que ser espirituoso dias e noites a fio. 

O tempo passa e o amor começa a encontrar os obstáculos naturais da relação humana, traduzidos nas perguntas sem resposta, no ciúme do passado desconhecido, no susto de um gesto inesperado ou até na indelicadeza involuntária. 

Nesse momento, o amor encontra as adversidades humanas que nem ele, no alto de sua força, é privado de experimentar, pois o gosto amargo das primeiras decepções, os hábitos diferentes e os divergentes conceitos morais o fazem pensar o porquê de o amor, aparentemente tão doce, ser tão pretensioso e exigente quando posto à prova? 

Nesse mesmo momento, o amor senta-se e experimenta a autoflagelação, observando atônito suas próprias chagas. Tenta, a cada dor, encontrar o sentimento puro que acreditou existir lá no início infantil e irresponsável. 

Descobre, bem no fundo de seu grande amor, que o mesmo não é delírio, mas tem com ele muitas coisas em comum, pois tentar adequar-se ao amado dói demais e é algo sem lógica, pois se posso amar incondicionalmente, devo também receber igual tratamento, certo? Claro que não! O amor é incondicional, sem regras, sem normas, sem espaço para orgulho, desprezo... Ele te faz esquecer-se de comer, de passar no espelho antes de sair, de fazer a barba antes do trabalho... O amor é capaz de fazer você levantar-se pela manhã decidido a mudar, pois ontem foi sofrível demais aquela briga. No entanto, há cordas no coração que o melhor seria não fazê-las vibrar. 

Afinal, minutos depois, uma voz ao telefone e um bilhete na porta fazem o amor acordar e lembrar-lhe de que ele continua vivo, forte e mordaz como nunca!

Cláudio Andrade.

domingo, 21 de dezembro de 2014

O ciclo


Queria viajar com você e perceber que não são os lugares que escrevem nossa história;

Queria deitar com você e notar que o tempo não apagou a chama que proporcionou o primeiro beijo;

Queria navegar com você por mares revoltos só para confirmar que terei sempre a sua companhia a cada tempestade;

Queria ter a certeza que hoje desapareceu;

Sumiu no dia a dia corrido;

No esquecimento de um bom dia;

No afago cada vez mais raro da noite;

No olhar infeliz que já não conta com os abraços despretensiosos;

Até a pipoca das tardes frias regadas a bons filmes sumiu levada pela falta de ‘apetite’;

Queria ter a certeza de que tudo ainda respira mesmo diante de tantas provas contrárias;

Há males rondando o brilho, ofuscando o sorriso e maltratando a magia;

Penso no futuro e confesso que ele se encontra obscuro e pode renascer ou sepultar meus mais profundos sonhos;

Agora busco a minha própria contemplação. Na dor do Ser descubro os meus sonhos ainda não realizados, os morangos ainda não colhidos, as fotos dispensadas, os amores poupados, as tentações evitadas e as dores desnecessárias;

Sou o resumo de meus erros e acertos e na contabilidade da vida possuo saldo positivo que não é garantia de uma nova janela rumo ao recomeço.  

Cláudio Andrade


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Dor da saudade


Levantei para te vigiar; 
Deitei para com você sonhar; 
Acordei cedo para muito em você pensar; 
Sem você morro pouco a pouco sem querer ressuscitar; 
Subo aos céus e de lá, estrela de luz fico a te velar;
Festa no céu, depois de tanto tempo sinto você chegar; 
Entrelaçados pelo espírito restam-nos caminhar com direito a sonhar; 
Esse amor ontem terreno hoje celeste, para sempre eterno. 

Cláudio Andrade.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Paixão


Por Ariana Rodrigues

Paixão, sensação gostosa que toma conta da gente. Desatina, abala a respiração e muda a forma da gente enxergar a vida. Tudo ganha cores e as flores desabrocham de repente. A partir de então, vivemos numa constante primavera emocional. A paixão modifica a paisagem do dia, nossos sentidos passam a ter sentido. Nosso coração respira diferente. 

O corpo responde e a alma sorri. Estar apaixonada é flutuar sem se preocupar com a queda, é arriscar para matar a sede da saliva, do suor da pele, abdicar dos próprios pensamentos para entregá-los a uma só pessoa. Apaixonada, burra, boba, idiota, mas feliz.

 Lembrar dele desde a hora de vestir a roupa, passando perfume, ajeitando o cabelo e até quando postamos uma frase no Facebook. Esperar que ele curta, comente, interaja, saiba da nossa existência. 

Apaixonar-se é alimentar-se da atenção alheia para seguirmos em frente. É encantar-se com uma nuvem que cerca o sol, com a chuva batendo no vidro, com o frescor de uma nova vida. Estar apaixonada é viver além do permitido, é descobrir que existe algo maior do que os limites do corpo. 

Estar apaixonada é o vestibular da vida amorosa, teste de fogo para a escola do amor. Estar apaixonada é tão bom quanto perigoso, mas não trocamos essa sensação por nada. 

Mesmo que o desapego nos machuque, a dor não é maior do que a vontade de viver uma paixão novamente. 

 Paixão pode ir e voltar, pode doer e machucar, mas enquanto ela permanece, nos traz uma felicidade incomum, restrita apenas aos apaixonados. Eu amo estar apaixonada e me apaixono a cada dia por essa vontade de viver.


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Meu passado


O passado que carrego na minha mente é recheado de lembranças que são melancólicas devido à saudade que tenho delas e a certeza de que não há como senti-las de novo. 

 Cláudio Andrade.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Lendo você


Já terminei de ler você.
Os parágrafos da sua mente me deixaram extasiados;
A cada vírgula contida no seu beijo eu respirava para não perder o fôlego;
Nas frases feitas fingi não conhecê-las, para que você não perdesse o entusiasmo;
Nas estrofes agressivas, fiz-me de morto, para que elas terminassem logo;
Com um livro sem título busquei respostas em cada encontro, mas voltava para casa sempre com novo enredo, ora belo, ora triste;
As rimas ditas ao pé do ouvido eram simples, às vezes infantis, mas quem não vira criança, quando envolto pela chama do amor?
Os erros desse misterioso e galopante sentimento ficaram guardados, inclusive nas palavras mal ditas que, diante da atração irresistível, foram reescritas em homenagem ao bem maior;
Agora, que terminei de ler você, compreendo que há livros que ficam para a eternidade e você, na qualidade de obra, estará para sempre na minha estante chamada coração.
Cláudio Andrade.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O toque do seu celular



NÃO quero saber da música que ele emana e sim do ritmo de nosso amor; 

Quando você atende, parece que tudo clareia e que o mundo vale a pena; 

O seu alô é bálsamo e transforma saudade em alegria;

Sei que um dia isso pode acabar e a sua voz, hoje tão natural, poderá ser substituída por uma mecânica gravação; 

Nesse dia, espero que a sua ausência seja devido a novos tempos e que eu possa sentir, mesmo à distância, os clarões fantásticos gerados pela sua felicidade. 

Olhares

Olhares fracos de velhice; 
De lince, tamanha a exatidão; 
De criança, que tudo alegre vê; 
De mãe, que por amor às vezes finge saber; 
De amor, que insiste em não querer ver o fim; 
De paixão, que tudo quer e deseja com os olhos;
De inveja, que tudo murcha; 
De superioridade, que vez ou outra supera; 
De tesão, que por vezes goza; 
De medo, que por segundos chora;
De saudade, que agora sente; 
De solidão, mesmo com companhia; 
De sonhos, que de noite desperta; 
De abundância, que enche, mas não contempla; 
De morte, que tudo acaba; 
De esperança, que tudo floresce; 
Olhos, olhos, olhos, onde estão vocês?

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Entre o corpo e a mente


Eu prefiro tocar o seu corpo à sua mente. Nas suas curvas eu me sacio e NÃO me preocupo com a razão, ao passo que investir nos seus pensamentos, corro o risco de me enganar, afinal nem sempre os desejos emanados pelo corpo representam as verdades concretizadas pela mente. 

Cláudio Andrade.